Debate sobre o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reúne ativistas e gera discussões sobre o tema

Mesa de debates. Foto: Daniel Outlander

Mesa de debates. Foto: Daniel Outlander

Muito se fala na atual conjuntura da sociedade sobre o papel do negro e sua inserção e busca de igualdade em diversos segmentos – sociais, profissionais e educacionais – mas a verdade é que a discriminação com afrobrasileiros ainda é latente. As mulheres, por sua vez, sofrem duplamente: primeiro por serem mulheres, depois por serem negras. Para comemorar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e motivar a luta para o compate ao racismo, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ realizou na sexta-feira, dia 24, um debate sobre o papel da mulher negra no mercado de trabalho.

Negra, professora universitária e doutora, a enfermeira da UFRJ Luzia de Araújo fez um profundo questionamento sobre a história da mulher negra e sua relação nos âmbitos da sociedade e do trabalho. “O homem branco ganha mais, já a mulher negra vem em último lugar na escala”, comentou a palestrante. Ela evidenciou ainda que por ser negra, viu muitas dificuldades e diferenças ao ingressar em uma universidade. “Eu sempre estudei em escolas públicas, mas quando você entra na universidade é que você vê a disparidade social. Eu era sozinha”, finalizou.

Para a militante do Coletivo Negro e do Movimento de Mulheres Olga Benário Eloá Santos, a realidade não foi diferente. Negra, se viu em um mundo completamente dominado por um sistema racista e machista. “Imagina, eu fui cursar economia na UERJ, um dos cursos mais machistas e sexistas que existem. Disseram que eu não tinha o biotipo de economista”, enunciou.

Sindicalizada arruma turbante. Foto: Daniel Outlander

Sindicalizada arruma turbante. Foto: Daniel Outlander

Evento

A comemoração contou, além das palestras, com diversas atividades voltadas ao público presente. Logo que chegavam ao Espaço Cultural do Sintufrj, todos os convidados se dirigiam à tenda de turbantes, onde uma turbanteira aplicava lenços de diversas cores e ensinava a dar vários tipos de nós.

A fila ficou cheia em outra tenda onde uma esteticista fazia limpeza de pele, de graça, em quem estivesse disposto a encarar o calor com a pele mais saudável.  Um café da manhã também foi servido, e para garantir aos presentes uma experiência completa, as atividades recomeçaram após o almoço.

História

As mulheres negras da diáspora africana celebram 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, como símbolo de união e de reconhecimento mundial de suas vidas guerreiras, combativas e imprescindíveis à construção de um mundo solidário, multiétnico e pluricultural. Estas mulheres negras têm, em comum, vidas marcadas pela opressão de gênero, agravadas pelo racismo e pela exploração de classe social.

A escolha da data ocorreu no I Encontro das Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, que aconteceu na República Dominicana, em 1992. Mais de setenta mulheres negras de diversos países estiveram presentes no evento, com o objetivo de dar visibilidade à sua presença nestes continentes. Na ocasião, foi criada a Rede de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, para a troca de informações, o estreitamento das relações e promoção de ações em conjunto.

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